Por muito tempo os programas de
treinamento no ensino dos Jogos Desportivos Coletivos se pautavam no
Treinamento Tradicional, onde a principal componente de treinamento é a
vertente física. Esse processo metodológico advindo dos Esportes Individuais não
atende todas às exigências dos Esportes Coletivos, mais especificamente o
Futebol. Ainda nos dias de hoje muitos treinadores trabalham no meio
futebolístico com essa metodologia de treinamento, com microciclos, mesociclos
e macrociclos de treino, visando determinadas competições e buscando a
excelência desportiva dentro de suas sessões diárias de treinamento.
Treinar de forma isolada os componentes
do jogo de Futebol, trabalhar as questões técnicas com exercícios repetitivos,
questões físicas com exercícios físicos sem caracterização com o esporte
Futebol, questões psicológicas com a psicóloga específica ou com aulas pensadas
para atingir o pretendido e, questões táticas para que o time obtenha uma forma
de estar e representar.
Será que desta forma consigo atingir os
resultados que desejo? Acredito que não. Para Mendes (2014) “O jogo é um
ambiente complexo, caracterizado pela imprevisibilidade e aleatoriedade de
situações, o processo de treinamento centrado na técnica, através de exercícios
analíticos não corresponde ao desempenho do praticante neste contexto.”
Não quero dizer que essa metodologia é
errada ou certa, melhor ou pior, não é isto, mas o fato é que vemos outras
formas de enxergar o jogo e o treino dando certo em alguns clubes do Velho
Continente e em alguns poucos do Brasil. Alguns treinadores estão colocando a
vertente Tática do treinamento como ponto central, e estão trabalhando de forma
integrada com as outras componentes de treino, Professores/Treinadores colocam
em prática mesmo que empiricamente o treino pautado no jogo, que englobe todas
as questões e prepare sua equipe para a próxima partida, para o que irá
acontecer no jogo, às questões táticas do Futebol, Treinadores como o José
Mourinho, Pep Guardiola, Jürgen Klopp, Jorge Jesus, Vítor Pereira, Jupp Heynckes,
Jorge Castelo, Rui Quinta, Marcelo Oliveira, Carlos Alberto Parreira, Tite
entre outros que conhecem sua equipe, conhecem o adversário, trabalham em cima
disto e nos treinos desenvolvem situações que provavelmente irão acontecer nos
jogos, utilizam do treinamento através de jogos.
Para mim, essa é a metodologia ideal de
treino. Com as crianças acontece da mesma forma, busca-se ensinar bem o jogo
jogando o jogo. Não estou dizendo que devemos banir a metodologia tradicionalista/tecnicista,
esta também é muito válida em algumas questões, e pode ser utiliza sim nos dias
de hoje, mas acredito que para uma equipe jogar bem, para uma criança aprender
a jogar o jogo, é preciso realmente colocar a questão tática como fator
principal do processo de ensino aprendizagem destas crianças que querem se
tornar profissionais do futebol. O treino através de jogos é mais estimulante e
dificilmente esses alunos vão abandonar o esporte pelo estresse precoce de
treino. Wilmore e Oliveira (2005) afirmam que:
O jogo é o mais
rico instrumento (exercício) que o treinador possui para o "ensino"
do futebol mas sou obrigado a referir que muitas vezes surge a tentação a todos
nós, treinadores, de utilizar os exercícios analíticos pois são exercícios
fechados onde mais facilmente se calculam os resultados e se controlam as
variáveis externas, esquecendo-nos que o treino não deve servir para,
exclusivamente, satisfazer as necessidades e interesses do treinador mas sim
voltado para os atletas com quem trabalhamos. A verdade é que não nos
interessa, a nós treinadores, que o jogador seja uma perfeição no domínio dos
gestos técnicos específicos do futebol, mas sobretudo, que consiga agir em cada
circunstância de acordo com um grau de pertinência adequado ás exigências dessa
mesma situação. Isto é, que seja capaz de tomar a melhor decisão possível face
às características que o envolvimento lhe apresenta. Devo desde já esclarecer
que quando nos referimos à utilização do jogo, não nos referimos exclusivamente
à utilização do jogo formal, mais sim ás "formas de jogo" que simplificam
a estrutura complexa do jogo.
Uma metodologia de treinamento com
princípios muito interessantes no que se refere à capacidade de tomada de
decisão e aos aspectos cognitivos de percepção é o TGfU - Teaching Games for
Understanding. É uma metodologia de ensino que aborda de forma inteligente e
eficaz ensinado às crianças a jogarem o jogo.
É um modelo de ensino que trabalha a
partir dos jogos condicionados, da contextualização das situações de jogo e das
competências dos praticantes para o seu domínio, baseado e objetivando a
vertente tática. O foco maior é no envolvimento cognitivo e formal dos
praticantes nas atividades, garantindo a ocorrência de experiências de sucesso
conducentes ao incremento de competências na prática do jogo e da motivação
pela prática desportiva. (TEOLDO et al. 2010, p. 7).
Não importa o resultado final, se a
maneira de se fazer é a correta, o resultado será consequência.
REFERÊNCIAS
MENDES,
R. Futebol: a importância do ensino-treino da técnica através de exercícios
baseados em situações de jogo. Lecturas,
Educación Física y Deportes, Revista Digital, Buenos Aires - Año 19 - Nº
193 - Junio de 2014.
TEOLDO,
I. ; GRECO, P.J. ; MESQUITA, I. ; GRAÇA, A. ; GARGANTA, J. . O Teaching Games
for Understanding (TGfU) como modelo de ensino dos jogos desportivos coletivos.
Revista Palestra, v. 10, p. 69-77,
2010.
WILMORE,
P. V; OLIVEIRA, R. O exercício no processo de treino de futebol proposta
metodológica. Lecturas, Educación Física
y Deportes, Revista Digital, Buenos Aires, Año 10, N° 81, Febrero de 2005.
*Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7403295895284266
**E-mail: rafinhabesen@gmail.com
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