sábado, 21 de junho de 2014

RELATÓRIO DE OBSERVAÇÃO E ANÁLISE: INGLATERRA 1 x 2 ITÁLIA


Relatório/Análise da Seleção da Inglaterra em sua estréia diante da Itália na Copa do Mundo 2014.



Autor: Renan Mendes*


Equipe: Inglaterra                     Data: 14/06/2014
Competição: Copa do Mundo 2014

Esquema Tático: Equipe organizada num 1-4-2-2-1-1 (1-4-2-3-1), em Bloco médio.







Organização Ofensiva:

·   Tem tendência a atacar rapidamente, procurando servir seus jogadores mais avançados (Extremos, Meia ofensivo e Ponta de lança), que assumem uma postura muito objetiva na busca pelo gol (com preferência em atacar pelos flancos).






·        Quando optam pela circulação, fazem num ritmo lento quando no setor defensivo; aumentam o ritmo quando alcançam a intermediária adversária. Buscam servir seus volantes (em especial Gerard – 4, que tem grande qualidade na construção), que utilizaram o passe longo para a amplitude dos Extremos/Laterais com freqüência.







Transição Defensiva:

·     Pressionam o portador da bola, buscando ganhar tempo para se organizar defensivamente. São rápidos na recomposição (setor defensivo e volantes, especialmente).




Organização Defensiva:

·     Equipe em momento defensivo organizada num 1-4-2-2-1-1 (1-4-2-3-1), variando às vezes para um 1-4-4-1-1, em Bloco médio.




·        Pressionam os volantes adversários quando recebem de costas, tirando-lhes tempo e espaço, dificultando para estes jogarem em progressão.





·         Por vezes, deixavam algum espaço entre-linhas que foi várias vezes aproveitado pela Seleção da Itália (geralmente, era Pirlo-21 quem realizava o passe para essas zonas).





·        Devido ao posicionamento dos Extremos em uma linha mais adiantada em relação à linha dos volantes, surgiam espaços nas suas costas que foi muito explorado pela Seleção Italiana.





·      Extremo direito (Welbeck – 11) apresentou várias vezes, falhas em seu posicionamento defensivo.






Transição Ofensiva:

·         A Seleção Inglesa deu preferência ao contra-ataque rápido. Buscam servir seus jogadores mais avançados (Extremos, Meio Ofensivo e Ponta de lança), que são rápidos e muito objetivos na busca pelo gol adversário. Geralmente, atacam pelos lados do campo.








sábado, 14 de junho de 2014

RELATÓRIO DE OBSERVAÇÃO E ANÁLISE: BRASIL 3 x 1 CROÁCIA


Relatório-Análise* da Seleção Brasileira em sua estréia diante da Croácia na Copa do Mundo FIFA 2014.


Autor: Renan Mendes**

Equipe: Brasil   Data: 12/06/2014

Competição: Copa do Mundo FIFA 2014          Resultado: 3 x 1


Nome
12
Julio César
2
Daniel Alves
3
Thiago Silva
4
David Luiz
6
Marcelo
7
Hulk (20 – 68’)
8
Paulinho (18 – 63’)
9
Fred
10
Neymar (16 – 88’)
11
Oscar
17
Luiz Gustavo
18
Hernanes
20
Bernard
16
Ramires


















Organização Ofensiva:

·         Equipe organizada em 1-4-2-3-1, com tendência para jogar em posse e circulação.

·         A equipe trocou passes a maior parte do tempo no setor defensivo (Às vezes, com volante Luiz Gustavo (17) descendo para formar “linha de 3”), com muitos passes horizontais e com dificuldade de progredir no terreno (devido ao bom comportamento defensivo adversário, que fechava bem os espaços no interior do seu bloco defensivo; e devido a pouca movimentação em apoio dos extremos e meia ofensivo).

·         A equipe recorreu com freqüência aos passes longos, que rendeu algumas boas saídas com movimentação em ruptura de alguns jogadores, em especial, do Extremo Direito (Oscar – 11) e do Lateral Direito (Dani Alves – 2).

·         Também conseguiu algumas saídas quando o Meio Ofensivo (Neymar – 10) buscava de trás para construir. A grande maioria das boas jogadas de ataque envolvia os jogadores Oscar (11) e Neymar (10) (inclusive os gols marcados: 2 de Neymar e 1 de Oscar).








Transição Defensiva:

·         Pressão ao portador da bola e linhas de passe próximas, para roubá-la ou temporizar as ações adversárias para se re-organizar defensivamente.

·         Às vezes falharam em tirar linhas de passe com eficiência, facilitando o contra-ataque adversário, que levou perigo ao Brasil algumas vezes.




Organização Defensiva:

·         Seleção Brasileira organizada em 1-4-4-1-1, em bloco médio/alto, com as duas linhas de 4 posicionadas atrás da linha da bola.

·         Muitas das vezes, realizavam com sucesso a pressão em bloco alto, fazendo com que o adversário buscasse o passe “longo”.

·         Mas, por vezes, ao subir no terreno para pressionar a saída de bola adversária, deixavam muito espaço no interior do bloco (espaço entre-linhas), que quando bem aproveitados pela Croácia, levou algum perigo à defesa brasileira.




Transição Ofensiva:

·         Priorizavam o contra-ataque rápido e agressivo. Se não fosse possível, retiravam a bola do setor de pressão e organizavam um ataque em circulação.



*O modelo de análise que serviu de base para elaboração deste relatório pode ser encontrado no site: www.teoriadofutebol.com







sábado, 7 de junho de 2014

UM ESBOÇO DOS CONTEÚDOS DO MODELO DE JOGO E DA CONFIGURAÇÃO DO MORFOCICLO PADRÃO


COLUNA ESPECIAL

AUTOR: Renan Mendes*


A vontade de vencer é importante. Mas a vontade de se preparar é fundamental 
Joe Paterno.

Os Conteúdos do Modelo de jogo
                Em síntese ao que escrevi em minha primeira coluna publicada neste blog (http://estudandoofutebol.blogspot.com.br/2014/05/o-principio-da-especificidade-na.html), o Modelo de Jogo pode ser definido como uma espécie de guia de ação, que configura os comportamentos da equipe e lhe confere uma dinâmica comum (Silva, 2010).

De acordo com Tamarit (2013, apud Mendonça, 2013), o Modelo de Jogo é o que acontece regularmente durante o jogar da equipe e que a identifica. O próprio autor ainda diz que o modelo é a idéia inicial do treinador adaptada e concretizada à realidade. Portanto, o Modelo de Jogo é o referencial que deve regular todo o trabalho desde o início da temporada, sendo irracional pensar em Periodização Tática sem pensar no modelo de jogo (Faria, 1999, apud Casarin e Esteves, 2010).

Assim sendo, deverá fazer parte dos conteúdos desse modelo os Momentos do Jogo (momento ofensivo, momento defensivo, transição ofensiva, transição defensiva, esquemas estratégicos ofensivos e esquemas estratégicos defensivos) e deverá permitir lidar melhor com as características desses momentos, através dos seus Macro-princípios, Sub-princípios e Sub-Sub-princípios de jogo, os quais deverão ser os que orientarão todo o processo desde o primeiro dia da temporada (Tamarit, 2013, apud Mendonça, 2013). É importante frisar que a operacionalização do Modelo de Jogo deve ser realizada tendo em conta as várias dimensões/escalas: Dimensão Coletiva, Dimensão Inter-Setorial, Dimensão Setorial e Dimensão Individual (Mendonça, 2013).

Destarte, a definição dos Princípios, Sub-Princípios e Sub-Sub-Princípios, referentes a um modelo de jogo, delineia comportamentos e padrões de jogo que devem ser identificadas e manifestadas nos momentos do jogo (Oliveira, 2004, apud Casarin e Esteves, 2010).

Guilherme Oliveira (1991) e Carvalhal (2000), citados por Figueiras (2004), referem que o Modelo de Jogo deve ser o orientador das periodizações e das planificações do processo. Assim, o Micro(Morfo)ciclo passou a ser ordenado objetivando o desenvolvimento de Sub-Sub-Princípios, Sub-Princípios e Princípios de jogo, não desprezando, contudo, o tipo de trabalho muscular mais indicado em cada momento da semana (Silva, 2010).


O Morfociclo Padrão
                De acordo com Frade (2013, apud Mendonça, 2013) define como Morfociclo porque se cria em cada semana um ciclo que terá semelhanças (relação) com o ciclo seguinte. Morfo (forma) porque queremos que aconteçam determinadas configurações geométricas (formas), mas em função do modo que queremos que os jogadores se relacionem para a construção do Modelo de Jogo. Padrão porque devemos garantir a todos os instantes a presença da nossa Idéia de Jogo (o padrão).

                O modelo de periodização tática não visa o pico de forma esportiva porque não é necessário melhorar em condições máximas as capacidades motoras do jogador (Santos, 2006, apud Marques Junior, 2011). O mais importante é aperfeiçoar o modelo de jogo da equipe para permitir uma evolução nos seus patamares de rendimento que visam a regularidade competitiva ao longo do ano (Marques Junior, 2011).

De acordo com Frade (2013, apud Mendonça, 2013) e Silva (2008), o Morfociclo (padrão semanal) é o elemento fundamental para a organização do processo, uma vez que após o jogo analisa e define um conjunto de objetivos a incidir ao longo da semana. Guilherme Oliveira (apud Silva, 2008, p. 75) esclarece que “o treino é o principal meio para criar a competição e o jogo que nós queremos, mas a competição também é muito importante porque nos da indicações para a reformulação permanente do que temos que fazer no treino”.

                De acordo com Frade (2013, apud Mendonça, 2013), o Morfociclo também deve contemplar a recuperação e o esforço do desempenho uma vez que no alto nível só podemos ter preocupações aquisitivas (referente ao desenvolvimento do Modelo de Jogo) em três dias da semana, caso contrário os jogadores entrarão em estado de fadiga e não irão imprimir o dinamismo nem o nível de concentração desejado. O mesmo autor também refere que apenas quatro dias depois de realizarem um esforço de máxima exigência (o dia do jogo) estão em condições de realizar um novo esforço de máxima exigência. Em seguida, está exemplificado o Morfociclo Padrão e a caracterização de cada um dos dias.

Domingo (o dia do jogo)
                O jogo constitui-se num momento fundamental para a estruturação do Morfociclo da semana entre o jogo anterior e o jogo seguinte, uma vez que é o jogo que confere sentido ao processo de treino (Silva, 2008; Tamarit, 2013, apud Mendonça, 2013). Segundo Tamarit (2013, apud Mendonça, 2013), o jogo produz a todos os níveis (emocional, físico, etc...) um desgaste muito grande. Dessa forma o Morfociclo que se segue tem como objetivo recuperar a equipe para o próximo jogo, sem, no entanto, deixar de haver preocupação com o desenvolvimento do nosso “jogar” (entenda-se, Modelo de Jogo). O mesmo autor ainda diz que, alguns jogos produzem mais desgaste do que outros e que em alguns jogos a nossa idéia de jogo será mais bem aplicada do que outros. Tudo isso deve ser considerado na criação do próximo Morfociclo. Por isso que, segundo Guilherme Oliveira (apud Silva, 2008), no seu Morfociclo Padrão, a equipe folga no dia seguinte para que os jogadores se recuperem.
                De acordo com Silva (2008), o jogo constitui-se como um momento fundamental de controle do processo. Esclarecendo essa idéia, Guilherme Oliveira (apud Silva, 2008, pg. 76) refere que o jogo é uma avaliação onde percebe “se a competição e o jogo vão de encontro ao que pretendemos e acontece do modo como nós construímos no treino ou se pelo contrário, a competição não está a ir de encontro ao que queremos, então temos de reformular o que estamos a fazer”. Sendo assim, o processo de treino-jogo/competição adquire uma lógica concreta porque assenta no mesmo sentido, ou seja, no desenvolvimento Específico (ver primeira coluna) do Modelo de Jogo.
                O próximo adversário que iremos defrontar no jogo seguinte também é importante para a estruturação do Morfociclo. Podemos, durante a semana que antecede o próximo jogo, contemplar alguns pormenores estratégicos que irão beneficiar a nossa equipe nesse confronto, porém, devemos sempre manter a nossa idéia de jogo inalterada (Mendonça, 2013). Referente a essa idéia, Vitor Frade (apud Oliveira, 2007) diz que “segundo a lógica daquilo que eu chamo a periodização táctica, a estratégia é muito importante, mas ela nunca pode ser em momento nenhum da semana mais importante que os outros”.

Segunda-feira (Recuperação Passiva)
                Na Periodização Tática, normalmente, o dia de descanso é realizado no dia que se segue ao jogo. Apesar de que a nível fisiológico o melhor para recuperação é treinar o mais rapidamente possível depois do jogo, a verdade é que a um nível emocional (global) é melhor ter um dia de descanso logo a seguir ao jogo, desta forma o treino de recuperação será dois dias depois do jogo (Mendonça, 2013).

Terça-feira (Recuperação Ativa ou “Específica”)
                O trabalho nesse dia ocorre visando a recuperação ativa dos jogadores, acontecendo num jogo de menor complexidade (campo menor, menor velocidade dos atletas, menor desgaste emocional, etc.) (Marques Junior, 2011). Guilherme Oliveira (apud Silva, 2008, pg. 78) refere que neste dia aborda “alguns sub-princípios que entendemos que devemos <treinar> face ao que aconteceu no jogo anterior (bem ou mal) e face aquilo que perspectivamos ser o próximo jogo”. Entretanto, o autor realça que estas situações são muito descontínuas (com paragens freqüentes), para que os jogadores se recuperem. Por isso esclarece que promove um “esforço característico do nosso jogo, mas com uma redução muito grande tanto a nível da velocidade, da tensão e da duração da contração”.
                De acordo com Frade (2013, apud Mendonça, 2013), a recuperação deve acontecer sobre aquilo que foi responsável pela sua fadiga. Exigindo do organismo com a mesma solicitação, mas com um tempo muito reduzido que não permita o acentuar da fadiga. Sendo assim, devemos promover exercícios onde exista muito empenho instantâneo (Intensidade Máxima Relativa), mas durante um tempo muito reduzido e com muito descanso entre cada repetição de forma a promoverem-se os processos de recuperação (Mendonça, 2013).
                Carvalhal (2001, apud Silva, 2008, pg. 78) em um de seus estudos, conclui que a melhor forma de recuperar é “solicitar as mesmas estruturas que o jogo requisita, retirando aos exercícios espaço, tempo de duração e concentração”.

Quarta-feira (Dia dos Sub-Princípios e Sub-Sub-Princípios com Tensão da Contração Aumentada)
                Neste dia, o treino acontece em uma escala média do jogar (Marques Junior, 2011). De acordo com Frade (2013, apud Mendonça, 2013) é dia dos detalhes, dia dos Sub-Princípios e Sub-Sub-Princípios, mas sempre com garantia de que existe uma densidade significativa de contrações excêntricas levando a um aumento de tensão, mas em pormenores do nosso jogar. Esse aumento de contrações excêntricas será assegurado pela existência de grande quantidade de saltos, acelerações, mudanças de direções, chutes, choques, etc. (Mendonça, 2013).
                Guilherme Oliveira (apud Silva, 2008, pg. 81) diz que na Quarta-feira incide “nos aspectos não tão coletivos mas sobretudo ao nível dos comportamentos intersetoriais e setoriais”, por isso cria contextos de exercitação com “um número de jogadores relativamente pequeno, em espaço reduzido e com um tempo de duração também reduzido”.
                Segundo Tamarit (2013, apud Mendonça, 2013), é importante notar que apesar de este ser o primeiro treino dito aquisitivo, a equipe ainda não está totalmente recuperada do esforço despendido no jogo anterior, por isso, deve-se continuar ter em conta a necessidade de recuperação neste dia (a todos os níveis). Levando em conta a preocupação de gerir a fadiga ainda existente e a elevada tensão específica associada a este dia, revela-se essencial a existência de sucessivos períodos de recuperação intercalados com as ações de alta tensão. Por isso esse dia é caracterizado por uma grande descontinuidade (Silva, 2010).
                Devido a essa configuração, os exercícios contemplam situações onde predomina um regime de esforço com “contrações de tensão muito elevada”. Além disso, existem muitas paragens porque “há muita pressão e muita rapidez de execução e por isso, eles fazem e param para voltar a fazer”, uma vez que se pretende a qualidade dos comportamentos (Guilherme Oliveira, apud Silva, 2008, pg. 81).

Quinta-feira (Dia dos Macro-Princípios com Duração da Contração Aumentada)
Neste dia o jogo ocorre de maneira mais complexa, são abordados os Macro-Princípios de jogo, em que as referências serão as solicitações exigidas durante o jogo, sendo muito similar a este (Marques Junior, 2011; Frade, 2013, apud Mendonça, 2013). No entanto, não é necessário utilizar o campo todo, mas este deve ser o treino menos intermitente de todos (Mendonça, 2013).
A Quinta-feira é o dia que se encontra mais afastado do jogo anterior e do próximo jogo, e só neste dia podemos solicitar a máxima exigência dos jogadores (só quatro dias depois de um esforço de máxima exigência os jogadores estarão totalmente capazes de realizar novo esforço de máxima exigência) (Silva, 2008; Tamarit, 2013, apud Mendonça, 2013). Sendo assim, Guilherme Oliveira (apud Silva, 2008) incide, sobretudo ao nível dos grandes princípios e por isso, a dinâmica coletiva da equipe.
Desta forma, deve-se treinar a equipe com todos, ou quase todos os setores envolvidos. Este será então o treino que mais desgaste emocional exigirá uma vez que os contextos de exercitação são de maior complexidade (Mendonça, 2013). E de acordo com o referido autor, também será o dia mais parecido com o jogo ao nível do esforço/desempenho, pois os contextos de exercitação devem realizar-se em espaços amplos (todo ou quase totalidade do campo), devem envolver um maior número de jogadores (totalidade ou quase totalidade da equipe) e os tempos de exercitação devem ser elevados (não esquecendo a necessidade de alguma descontinuidade dentro da continuidade).
Devido a estes fatores, o padrão de contração muscular dominante caracteriza-se, neste dia, por um aumento de duração, velocidade de contração e tensão (Silva, 2011). E por isso que “a dinâmica destas situações promove um esforço muito semelhante ao da competição que pretendemos” (Guilherme Oliveira, apud Silva, 2008, pg. 83).

Sexta-feira (Dia dos Sub-Princípios e dos Sub-Sub-Princípios com Velocidade da Contração Aumentada)
                Neste dia, a preocupação encontra-se novamente em contemplar a recuperação (a todos os níveis), porque é um dia que está próximo do jogo e é o dia que se segue ao dia do treino mais exigente (Tamarit, 2013, apud Mendonça, 2013). Por isso, Guilherme Oliveira (apud Silva, 2008) aborda fundamentalmente os Sub-Princípios do jogo ao nível setorial, ou seja, trabalha numa dimensão mais reduzida da complexidade do jogo.
Entretanto, de maneira a reduzir a complexidade, sem esquecer que este ainda é um treino dito aquisitivo, devemos exercitar aspectos já assimilados, aspectos já pertencentes à esfera do subconsciente (Mendonça, 2013).
                Os contextos de exercitação neste dia deverão permitir que se atinjam contrações musculares de elevada velocidade, com tensão elevada no início da ação (mas não durante a mesma), mas com muito pouca duração. Para que isso aconteça, os contextos de exercitação deverão ter pouca oposição, serão realizados em espaços reduzidos, terão um número reduzido de jogadores e sua duração reduzida (Tamarit, 2013, apud Mendonça, 2013).

Sábado (Dia de Recuperação e Pré-Disposição para o Jogo)
                Sábado é o dia que precede o jogo, de acordo com Guilherme Oliveira (apud Silva, 2008) trata-se de uma pré-ativação para o jogo do dia seguinte. Entretanto, essa idéia não significa treinar situações abstratas. Portanto, o autor estabelece como objetivo “recuperar dos dias anteriores e activar os jogadores para o jogo do dia seguinte” através da abordagem de “alguns sub-princípios muito simples”. Também é o dia para aperfeiçoar as jogadas ensaiadas, cobrança de pênalti e outras atividades que apronte a equipe para a disputa (Marques Junior, 2011).
                De acordo com Tamarit (2013, apud Mendonça, 2013) neste dia haverá uma revisão do que se treinou durante a semana, realizando-se contextos de exercitação de baixa complexidade e que exijam empenhamento máximo, mas em um curto período de tempo. Este treino também deverá ser muito descontinuo.
                Em relação ao regime de esforço (a todos os níveis), Guilherme Oliveira (apud Silva, 2008) refere que “visa a recuperação através de um esforço muito mais reduzido com tensão e velocidade elevadas mas a uma densidade mínima e com uma duração muito reduzida”. Sendo assim, aborda algumas situações onde realiza a ativação de alguns automatismos dinâmicos da equipe, ou seja, de alguns comportamentos que não exigem muita concentração e que “relembram” os padrões coletivos.




REFERÊNCIAS

CASARIN, R. V.; ESTEVES, L. A. de S. Para se ganhar no futebol precisa-se treinar, mas o que treinar?. EFDeportes.com, Revista Digital – Buenos Aires, Año 14, Nº 142, Marzo de 2010.

FIGUEIRAS, L. M. C. Periodização tátctica: um “conceito com “futebóis” de muitos “rostos”. 2004. 128 f. Monografia (Curso de Desporto e Educação Física) – Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física, Universidade do Porto.

MARQUES JUNIOR, N. K. Periodização táctica. EFDeportes.com, Revista Digital – Buenos Aires, Año 16, Nº 163, Diciembre de 2011.

MENDONÇA, P. Modelo de jogo do FC Bayern de Munique. 2013.


OLIVEIRA, R. O microciclo de treino: a base fundamental da planificação táctico-estratégica de um jogo de futebol. EFDeportes.com, Revista Digital - Buenos Aires, Año 12, N° 109, Junio de 2007.


SILVA, M. O desenvolvimento do jogar segundo a Periodização Tática. MCsports, 2008.


SILVA, A. Da periodização tradicional à periodização tática: ‘Pontos comuns’ e diversos e um ‘olhar’ sobre as dimensões do morfociclo padrão. EFDeportes.com, Revista Digital – Buenos Aires, Año 15, Nº 148, Septiembre de 2010.